[Alerto, desde já, que esta publicação vem aqui ter em jeito de desabafo. Caso te sintas ofendida, lamento por ti.] 

Aqui há dias falaram-me de uma coisa chamada “rescisão de contrato kármico”. Este é o tipo de tema que me faz refletir sobre o estado do mundo e a sanidade mental das pessoas. Eu não vou debruçar-me sobre se o karma ou a reencarnação existe. Para mim, isto está ao nível das crenças religiosas e este espaço prima pela liberdade de todos, em todas as frentes. 

A minha reflexão recaí sobre se as pessoas estão, de facto, a assumir a responsabilidade pelas suas Vidas. 

Se não, vejamos… 

Partamos do princípio que o karma existe de facto e que, nesta perspetiva, baseia-se num conjunto de aprendizagens que cada um de nós escolheu fazer, ao longo da sua passagem pela terra, nesta vida em particular. Posto isto, fazer estas aprendizagens, pressupõe viver. Sim, viver! Passar por experiências, situações diversas, umas boas, outras maravilhosas e outras que nem o “menino Jesus” se lembra, de tão dolorosas. Afinal de contas, a Vida é uma constante oscilação entre dor e prazer. Dor e prazer. Dor e prazer. 

Crenças à parte, são as experiências que nos dão a expertise de dar resposta às diferentes situações. São as nossas vivências que nos formam, constituem a nossa memória e a nossa história. São essas situações que, um dia, vamos contar aos nossos filhos e netos. 

Eu costumo comparar a Vida a uma grande escola. No seguimento, imagina que acabaste de terminar o primeiro ciclo e com uma simples assinatura e meia dúzia de palavras, alguém te passa para o ensino superior. Tu não viveste, não passaste pelo processo, não experimentaste errar e acertar… E lá estás tu, no ensino superior com uma consciência de ensino básico… 

Este tipo de práticas, parece-me, reforça a ausência de responsabilização dos indivíduos pelas suas Vidas e atos. Afinal, se as coisas acontecem contrárias ao desejado, é porque o Universo assim o quer ou é por culpa do karma. 

E se é ou não, eu não sei. Sei no que acredito e, acima de tudo, acredito que cada um é responsável por si mesmo. Acredito numa força superior à natureza humana, mas também que cada um de nós tem dentro de si mesmo uma partícula divina e que, com ela, podemos sim mudar toda a nossa Vida. 

É muito fácil culpar o Universo, Deus, o Karma, as magias, a mãe, o pai ou o piriquito. Mais complexo é pararmos de culpar o outro (seja o outro um ser de carne e osso ou uma energia) e assumirmos as rédeas da nossa Vida! É complexo, pede dedicação, exige vontade e motivação! 

É fácil assinar um papel a dizer que se rescinde o karma. Complexo é, a cada momento das nossas vidas, adoptarmos uma postura de auto-observação e termos a humildade de assumirmos que a raiva, a fúria e demais emoções tóxicas que o outro [aparentemente] desperta em nós, são apenas fruto e reflexo de vivências mal resolvidas, a clamarem por serem vistas! 

Afinal, é tão fácil adotarmos práticas ‘espirituais’. Difícil mesmo é olharmos, aceitarmos e amarmos a nossa natureza humana, perfeitamente imperfeita. 

Abraço de coração com coração. 

Carla