Tenho uma conta de e-mail há cerca de 10 anos, que uso para fins profissionais e pessoais. Ao fim de 10 anos, foi muita a informação que troquei com variadíssimas pessoas e instituições através daquela conta… 

Nas últimas semanas, fui recebendo alertas relativos ao espaço de armazenamento… Estava a ficar sem espaço, diziam eles… E eu fui adiando, procrastinando, empurrando com a barriga a resolução da situação. Ia apagando um e-mail aqui e outro ali, guardando uma foto ou um livro, na esperança inocente que isso desse solução à situação e eu deixasse de ver aqueles avisos… Não queria, na verdade, encarar a realidade de frente: eu acumulei milhares de e-mails ao longo dos anos! Não estou a exagerar… Foram, de facto, milhares de e-mails, uns lidos, outros por ler, que eu guardei durante anos!

Até que chegou o temido dia! Eu fiquei sem poder receber ou enviar e-mails através daquela conta. E fui obrigada, assim, a ficar frente a frente a e-mails recebidos há cerca de 10 anos atrás!  

Aposto que, neste momento, estás desse lado a perguntar “E então? Qual é a relevância disso? Acontece diariamente a milhares de pessoas…” Tens toda a razão! Acontece que esses milhares de pessoas não se limitam a guardar e-mails durante 10 ou mais anos. Guardam muito mais do que isso. Guardam, também, emoções e sentimentos. Guardam raiva, rancor, frustração, ódio, medo, ansiedade, culpa, crenças. Na verdade, a nossa mente e o nosso coração são exatamente como aquela conta de e-mail que eu permiti que ficasse cheia até não ter espaço para mais nada. 

Vamos guardando, acumulando, enchendo-nos a nós mesmos com pensamentos negativos, crenças limitantes, emoções que nos aprisionam e impedem de sermos felizes. Torna-se urgente e imperativo, então, limparmos!

Eu não posso receber e-mails novos enquanto não limpar e-mails antigos da caixa de entrada. Não há espaço! Assim somos nós na forma como nos posicionamos na Vida. Não podemos receber coisas novas, boas, magníficas, maravilhosas e fascinantes, se continuamos a acumular negatividade, frustração e sofrimento, sobre coisas que já aconteceram há muito, muito, muito tempo…

“(…) o passado acabou. Agora não o podemos mudar. No entanto, podemos mudar os nossos pensamentos sobre o passado. É uma tolice castigarmo-nos no momento presente, porque há muito tempo, no passado, alguém nos magoou.”  (Louise Hay, Pode Curar a Sua Vida) 

Não há espaço para a felicidade no teu coração, se continuas a escolher o sofrimento!

Ao longo da tua vida, vão existir sempre momentos menos bons, de dor. Esses são os momentos-chave de possibilidade de aprendizagem e crescimento. Onde TU PODES ESCOLHER o que fazes com esses momentos.

Começa, então, a limpar a tua “conta de e-mail interior”. Inicia um processo de perdão às situações dolorosas do passado. Não precisas saber como o vais fazer, como vais perdoar. Foca-te, apenas, que perdoar é um processo que vai acontecendo. Não tens de concordar com o que o outro fez; apenas vais tirar o peso que a situação tem para ti. Coloca-te, por isso, na disponibilidade para perdoar. Perdoa o que o outro fez. Perdoa o que TU PERMITISTE que o outro fizesse. Perdoa o que tu mesma fizeste.

Afirma para o Universo “Eu estou disposta a perdoar. Eu estou a aprender a perdoar-me. Eu estou a libertar-me do passado.” E assim, gradualmente e ao teu tempo, a tua “caixa de entrada interior” vai recebendo e-mails de alegria e felicidade. 

Abraço de coração com coração. 

Carla