Quase consigo ver a Fátima Lopes a entrar no platô, ao som de All you need is love dos Beatles, tamanha é a busca por Amor que grassa neste país… 

Ironias à parte, a quantidade de programas televisivos que prometem “à boca cheia” o encontro da alma gémea e o Amor para o resto da Vida, parece-me extremamente preocupante!

Antes de mais, deixa-me esclarecer isto: eu acredito no Amor romântico! Aquele Amor, construído dia-a-dia! E sim, se houver vontade, empenho, dedicação, diálogo, confiança, transparência e companheirismo, acredito piamente no tal Amor para o resto da Vida.

Posto isto e feitos os esclarecimentos devidos, continuemos…

Parece-me preocupante, sim, que se use o Amor e os relacionamentos como mote de entretenimento. Ainda mais, se a isso juntarmos expectativas de amor à primeira vista. Nisso – o amor à primeira vista – eu não acredito!

Há muita coisa à primeira vista… Atração, paixão, empatia e até reconhecimento de almas… Já o Amor… O Amor, o real e verdadeiro, não existe à primeira vista! Porque o Amor “dá trabalho”! O que é diferente de esforço!

Dá trabalho ouvir o outro. Dá trabalho colocarmo-nos no lugar do outro. Dá trabalho respeitar o espaço do outro. Dá trabalho confiar no outro. Dá trabalho apoiar o outro. Dá trabalho ter o nosso reflexo projetado no outro! Dá trabalho vermos as nossas próprias sombras no outro! Dá trabalho fazermos diariamente o nosso trabalho interior! Dá trabalho, pronto! Dá uma trabalheira imensa! E, na verdade, são cada vez menos as pessoas que estão dispostas a ter esse trabalho… Na era da fast-food, tendemos a aplicar o princípio fast a tudo! Acontece que o Amor, o tal, o real e verdadeiro, não é feito de fast

Enquanto continuarmos a procurar no outro, aquilo que precisamos cultivar dentro de nós mesmas, nenhuma pessoa é boa o suficiente para preencher o vazio interior… Saltamos de relação em relação, alimentamos a ilusão de que um dia somos arrebatadas pelo encontro mágico com a pessoa perfeita, seja dentro de um carro, numa quinta ou num qualquer altar. Esquecemo-nos que semelhante atrai semelhante. E que até nós, só chegam aquelas pessoas com as condições de nos mostrarem as nossas partes que precisam ser vistas, aceites, curadas e integradas

Tu até podes estar neste preciso momento com o verdadeiro Amor ao teu lado que, enquanto não curares aquilo que trazes contigo a clamar por cura, vais apontar-lhe imensos defeitos e passas para o próximo. Tipo fila de hipermercado…

Antes de esperares encontrar o Amor na outra pessoa, encontra o Amor dentro de ti mesma. Percebe quais são os padrões que estás a repetir, relação após relação. Identifica as crenças que te limitam e impedem de viver em AMOR. E depois, então, acredita e confia, pois a pessoa perfeita para ti está aí ao virar da esquina. Apenas à espera que tu sejas, em primeiro lugar, a pessoa perfeita para ti mesma!

Abraço de coração com coração. 

Carla