Há algo de tão errado comigo…” 

Reconheces este pensamento? 

Eu pensei isto tantas e tantas vezes… 

Quando comecei esta caminhada, anos atrás, era assim que eu me sentia… Era isto que eu pensava. Sentia-me errada, desadequada, desenquadrada. Não sabia ao certo quem era, o que gostava, o que não gostava, o que queria, o que não queria… Sabia apenas que tinha uma ânsia imensa de algo… Algo de que eu sentia falta… Havia um vazio enorme dentro de mim! Um vazio de algo que eu não fazia ideia o que era! Por isso, projetava nos outros. Os outros tinham a obrigação de me fazerem felizes! Tinham a obrigação de me verem e de me ouvirem! Tinham a obrigação de me compreenderem! De me  amarem! De me apoiarem! E, se não o faziam, era sinal de mau carácter. Não me amavam, não gostavam de mim, não me respeitavam nem consideravam… Eram o lobo mau na história do capuchinho vermelho! 

Aaaahhhh… Como era esgotante e desgastante viver nessa oscilação entre “eu estou tão errada” e “os outros estão tão errados”… Isto trazia-me uma falta de ânimo, de motivação, uma tristeza tão profunda… Não percebia, na época, que não havia errados nesta história. Nem eu estava errada, nem os outros estavam errados. 

Os outros estavam, apenas, a ser o meu reflexo, o espelho da minha  falta de Amor próprio e ausência de autoestima. A Vida estava unicamente a dar-me de volta aquilo que eu estava a dar-lhe. Se eu não me amava, não me cuidava, não me priorizava e se continuava à procura da validação externa, sem ouvir o meu coração nem a minha intuição, dependente da opinião dos outros… Era isso que a Vida me ia dar! Se eu precisava do apoio dos outros para fazer escolhas, por exemplo, a Vida colocava-me em situações onde esse apoio não existia, como forma de chamar a minha atenção para a importância de ser eu própria a apoiar-me. O papel dos outros era apenas de partilha, não de bengala… 

Como custou até eu perceber e interiorizar isso! 

Ainda assim, eu também não estava errada nessa altura. Eu estava apenas a trilhar o meu caminho. E, por isso, fazia unicamente aquilo que eu sabia fazer. Fazia o que os meus conhecimentos, recursos e sabedoria me permitiam. Fazia o que podia, da forma que podia. 

Admito que, ainda hoje, há momentos em que o ego grita “eles estão a fazer isto ou a dizer aquilo!”. Sim, admito. Sou humana, como qualquer um de nós! Eu continuo no meu caminho de aprendizagem, autoconhecimento e reforço do Amor próprio. Afinal, até a nossa querida Louise Hay continuou a sua caminhada interior para se desenvolver e conhecer cada vez melhor ao longo de toda a sua Vida! 

diferença, hoje, é que quando estes pensamentos me assolam a mente, eu aceito, acolho, olho para eles e, antes de deixá-los partir, pergunto-me “Carla, o que é que esses pensamentos dizem sobre ti? Como é que isso que estás a ver no outro reflete algo teu? O comportamento do outro está a tocar em que ferida emocional tua? O que é que existe em ti a pedir para ser visto?”. 

este é o grande desafio. Vivermos um dia de cada vez, conscientes de  estarmos num caminho de aprendizagem crescente e gradual, onde não podemos saltar etapas nem pular degraus. As experiências de hoje são essenciais para amanhã poderes ser melhor.

A cada dia, apenas e simplesmente melhor! 

Abraço de coração com coração. 

Carla